Todoprosa por Sérgio Rodrigues
13/07/08 10:58h

Começos (ainda) inesquecíveis: Marguerite Duras

Depois de um domingo flípico, esta retrospectiva volta ao lugar que é seu. O post abaixo foi publicado em 21/1/2007.

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Certo dia, já na minha velhice, um homem se aproximou de mim no saguão de um lugar público. Apresentou-se e disse: “Eu a conheço há muito, muito tempo. Todos dizem que era bela quando jovem, vim dizer-lhe que para mim é mais bela hoje do que em sua juventude, que eu gostava menos de seu rosto de moça do que desse de hoje, devastado.â€

Penso freqüentemente nessa imagem que só eu ainda vejo e sobre a qual jamais falei a alguém. Está sempre lá no mesmo silêncio, maravilhosa. É entre todas a que me faz gostar de mim, na qual me reconheço, a que me encanta.

Muito cedo na minha vida ficou tarde demais. Quando eu tinha dezoito anos já era tarde demais.

Assim, de forma bela e estranha, começa o belo e estranho “O amante†(Nova Fronteira, 1985, tradução de Aulydes Soares Rodrigues), pequeno – na extensão – romance memorialístico com o qual Marguerite Duras (1914-1996) conquistou o prêmio Goncourt de 1984 e o sucesso comercial em escala planetária.


Comentários
  1. Claudia Freire:

    Preciso ler este romance, obrigada pelo toque.
    Caiu-me na hora certa a informação.

  2. Paulo:

    Sérgio, descobri o livro, tempos atrás, por causa do filme homônimo. Ambos são ótimos. Abraço.

  3. Lucas:

    Primeira vez que visito esse blog. Gostei muito, vou voltar outras vezes.

    Abraço.

  4. Mr. WRITER:

    Gostei, esse eu não conhecia… Valeu a dica Sérgio.
    Vou conferir.

  5. Cezar Santos:

    Os textos de mademoiselle (é assim que se escreve?) Duras geralmente são meio chatinhos, mas esse começo aí realmente é muito bom… evocativo e meio poético… supimpa, eu diria.

  6. Roberto Almeida:

    Li esse livro ha uns 4 anos e ele ainda continua comigo (como poucos). Mademoiselle Duras é foda.

    Foda tambem é seu blog, que conheci hoje. One of a kind.
    Parabéns

  7. Sérgio Rodrigues:

    Obrigado, Roberto e Lucas. Apareçam sempre.

  8. raimundo carrero:

    Sérgio, quem escreve “muito cedo na minha ficou tarde demais” só pode ser extraordinária. Maravilha. Fiz também um comentário sobre a simplicidade com sofisticação no comentário daquele meu artigo no Rascunho. Vamos lá. Abs de Raimundo Carrero

  9. raimundo carrero:

    momento…momento…”muito cedo na minha vida ficou tarde demais”…

  10. Sérgio Rodrigues:

    Caro Carrero, obrigado por se juntar àquele debate, mesmo com atraso. Deixei uma resposta lá. Um abraço.

  11. Caetana Campos:

    Quem quiser se deliciar mais com o trecho inicial completo de “O amante” pode ser lido
    em LITOST: o espetáculo da miséria
    http://ressentimento.wordpress.com/2008/04/29/157/

  12. Pedro Lobato:

    Poxa, esse é triste… a frase é linda mas é mentira, não era tarde demais e aquilo era só pra você escrever poesia…


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