Começos (ainda) inesquecÃveis: Marguerite Duras
Depois de um domingo flÃpico, esta retrospectiva volta ao lugar que é seu. O post abaixo foi publicado em 21/1/2007.
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Certo dia, já na minha velhice, um homem se aproximou de mim no saguão de um lugar público. Apresentou-se e disse: “Eu a conheço há muito, muito tempo. Todos dizem que era bela quando jovem, vim dizer-lhe que para mim é mais bela hoje do que em sua juventude, que eu gostava menos de seu rosto de moça do que desse de hoje, devastado.â€
Penso freqüentemente nessa imagem que só eu ainda vejo e sobre a qual jamais falei a alguém. Está sempre lá no mesmo silêncio, maravilhosa. É entre todas a que me faz gostar de mim, na qual me reconheço, a que me encanta.
Muito cedo na minha vida ficou tarde demais. Quando eu tinha dezoito anos já era tarde demais.
Assim, de forma bela e estranha, começa o belo e estranho “O amante†(Nova Fronteira, 1985, tradução de Aulydes Soares Rodrigues), pequeno – na extensão – romance memorialÃstico com o qual Marguerite Duras (1914-1996) conquistou o prêmio Goncourt de 1984 e o sucesso comercial em escala planetária.

Comentário de Claudia Freire — 13/7/08 | 21:28
Preciso ler este romance, obrigada pelo toque.
Caiu-me na hora certa a informação.
Comentário de Paulo — 14/7/08 | 08:42
Sérgio, descobri o livro, tempos atrás, por causa do filme homônimo. Ambos são ótimos. Abraço.
Comentário de Lucas — 14/7/08 | 12:36
Primeira vez que visito esse blog. Gostei muito, vou voltar outras vezes.
Abraço.
Comentário de Mr. WRITER — 14/7/08 | 16:46
Gostei, esse eu não conhecia… Valeu a dica Sérgio.
Vou conferir.
Comentário de Cezar Santos — 14/7/08 | 17:39
Os textos de mademoiselle (é assim que se escreve?) Duras geralmente são meio chatinhos, mas esse começo aà realmente é muito bom… evocativo e meio poético… supimpa, eu diria.
Comentário de Roberto Almeida — 16/7/08 | 10:21
Li esse livro ha uns 4 anos e ele ainda continua comigo (como poucos). Mademoiselle Duras é foda.
Foda tambem é seu blog, que conheci hoje. One of a kind.
Parabéns
Comentário de Sérgio Rodrigues — 16/7/08 | 11:02
Obrigado, Roberto e Lucas. Apareçam sempre.
Comentário de raimundo carrero — 16/7/08 | 13:26
Sérgio, quem escreve “muito cedo na minha ficou tarde demais” só pode ser extraordinária. Maravilha. Fiz também um comentário sobre a simplicidade com sofisticação no comentário daquele meu artigo no Rascunho. Vamos lá. Abs de Raimundo Carrero
Comentário de raimundo carrero — 16/7/08 | 13:27
momento…momento…”muito cedo na minha vida ficou tarde demais”…
Comentário de Sérgio Rodrigues — 16/7/08 | 15:10
Caro Carrero, obrigado por se juntar àquele debate, mesmo com atraso. Deixei uma resposta lá. Um abraço.
Comentário de Caetana Campos — 17/7/08 | 10:36
Quem quiser se deliciar mais com o trecho inicial completo de “O amante” pode ser lido
em LITOST: o espetáculo da miséria
http://ressentimento.wordpress.com/2008/04/29/157/
Comentário de Pedro Lobato — 28/7/08 | 12:04
Poxa, esse é triste… a frase é linda mas é mentira, não era tarde demais e aquilo era só pra você escrever poesia…