Começos (ainda) inesquecÃveis: Jeffrey Eugenides
Como esquecer as irmãs Lisbon? Post publicado em 9/7/2006.
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Na manhã em que a última filha dos Lisbon decidiu-se também pelo suicÃdio – foi Mary dessa vez, e sonÃferos, como Thereza –, os dois paramédicos chegaram à casa sabendo exatamente onde ficavam a gaveta das facas, o forno, e a viga no porão à qual era possÃvel atar uma corda. SaÃram da ambulância, como sempre andando mais devagar do que gostarÃamos, e o gordo disse entre dentes: “Isso não é a TV, gente, mais rápido não dá.†Carregava o pesado equipamento cardÃaco e o respirador, passando pelos arbustos que haviam crescido de forma monstruosa, pisando o gramado transbordante que fora liso e imaculado treze meses antes, quando os problemas começaram.
Assim, entregando o fim para garantir desde a primeira linha que o leitor só abandonará o livro antes da hora se for ruim da cabeça, tem inÃcio a viagem poética e mórbida – praticamente neo-simbolista, pensando bem – de “Virgens suicidas†(Rocco, 1994, tradução de Marina Colasanti). Para quem se interessa pelas engrenagens da escrita, o belo romance de estréia do americano de ascendência grega Jeffrey Eugenides merece destaque ainda por um recurso inusitado: a narração é toda feita na primeira pessoa… do plural.

Comentário de Marcello — 20/7/08 | 12:54
Obrigado pela indicação. Quando vi o filme eu nem me toquei de que havia um livro “na base”. Eu agradeço e também reclamo pois a coisa está ficando “inadministrável” ! Assim, sugiro q vc crie uma discussão sobre como cada um de nós maneja a pilha de livros q tem para ler (se é q ainda não o fez)(acho q isso pode ser divertido ou angustiante). No mais, indico as irmãs Papin como contraponto à sua indicação . Abs.
Comentário de Hiago R. R. de Queirós — 20/7/08 | 14:21
OLha… eu sempre tentei um modo diferente de fazer a narração… e embora não conheça este escritor, e se no topo da postagem tiver um techo do tal livro dele… já é dos meus…! Simplismente adorei! Boa a caracterÃstica de colocar um assunto sério com uma narração parcialmente desinteressada, ou até bizarra.. muito legal a falta de seriedade… sobretudo pela referência a aos filmes em que os personagens parecem que voam sobre o chão.. rsrsr
Comentário de João Alcântara de Meireles — 20/7/08 | 14:42
Foi baseado no livro comentado, que Sofia Copolla se inspirou, para fazer o filme homonimo?
Comentário de Sérgio Rodrigues — 20/7/08 | 20:09
É isso aÃ, João. O filme é uma adaptação. Bastante fiel, aliás, e nada má.
Comentário de Cezar Santos — 20/7/08 | 22:20
É incrÃvel como os escritores médios norte-americanos são tão bons em comparação com os de mesmo nÃvel do Brasil, não??….
Belo começo mesmo..aliás, como é todo interessante esse livro, que é melhor que o filme, embora o filme não seja ruim…nossa, que maçaroca que eu fiz…
Comentário de Guga Schultze — 21/7/08 | 11:05
Legal. Vale uma conferida. Mas o recurso da terceira pessoa já foi usado por Garcia Marques no “O Outono do Patriarca”, também com um começo quase inesquecÃvel. E que em matéria de engrenagens da escrita é quase imbatÃvel. O tom geral dessa abertura me lembrou também o Vernônia (Ironweed) do William Kennedy, também da turma dos começos quase inesquecÃveis. Mas é bom saber que tem mais escritor nessa turma.
Comentário de André Gonçalves — 21/7/08 | 14:40
o filme é excelente. nunca li o livro, mas com esse inÃcio arrebatador, já está sendo por mim procurado na net.
Comentário de André Gonçalves — 21/7/08 | 14:44
offtopic (ou nem tanto: recebi e-mail de uma agente literária. dizia: “A nossa agência literária agora oferece o serviço de divulgação para escritores de livros publicados, por meio de assessoria de imprensa.
É desenvolvida uma estratégia para divulgar o livro e o autor na mÃdia jornalÃstica, como fontes de informação. O serviço permite construir a imagem do escritor, buscando espaços de entrevistas e reportagens. A partir do tema do livro, tratamos da sistematização do envio de textos informativos e sugestões de abordagem do assunto. Tudo isso direcionado aos veÃculos e jornalistas realmente ligados à temática e, assim, atingindo o leitor alvo”.
Mandei email resposta, dizendo estar interessado. A re-resposta dela: “Infelizmente para livro de poesia esse tipo de divulgação não funciona, é jogar dinheiro fora.
Vc não terá retorno algum, não valerá a pena o investimento financeiro. Agradeço o interesse”.
Gente, é isso mesmo? Qual seria a diferença entre divulgar prosa e poesia? Poeta não pode “desenvolver uma estratégia para divulgar o livro e o autor na mÃdia jornalÃstica”? Ou é por medo do livro ser mais uma das centenas de porcarias que existem e é melhor sair pela tangente? Mas… Se fosse prosa, não teria ruindades do mesmo jeito? Enfim… Isso posto… A quem interessar possa…
Abraços a todos!
Comentário de Murilo Gabrielli — 21/7/08 | 16:37
Adoro o Middlesex.
Comentário de Max Aue — 25/7/08 | 01:34
TÃpico texto de brasileiro de ascendência portuguesa.
Comentário de Edielton de Paula — 25/7/08 | 15:05
Esse livro é ótimo, assim como o Middesex. Mas, posso falar honestamente?, as edições da Rocco são tão, tão pobres… já viu os livros do Ian McEwan?
Comentário de Pedro Lobato — 28/7/08 | 12:02
Gostei!